Bruno Nogueira, jornalista independente e especializado em música, autor do site Pop up!, descobriu o tocaê por acaso, enquanto tomava um cafe no Delta. Bruno gostou tanto do tocaê que resolveu nos entrevistar. Segue abaixo, na íntegra, a nossa conversa:
BRUNO: Você é o responsável pelo tocaê? Queria fazer umas perguntas
EDUARDO: Sim, sou o idealizador e o principal executivo do empreendimento.
BRUNO: O serviço foi inspirado em algum modelo? Qual? E, se foi o caso, que adaptações precisaram ser feitas?
EDUARDO: A inspiração é na inclusão digital através do celular. O celular, além de telefone, é o MP3 e a camera da maioria dos brasileiros. O download de música digital cresceu mais de 100% no ano passado, muito impulsionado pelo side-load (do PC para o celular). A idéia é disponibilizar para os usuários de MP3 música a preço acessível. Note que só se paga uma vez. As músicas baixadas não possuem DRM, logo após baixadas podem ser transmitidas para outros dispositivos.
BRUNO: Esse primeiro catálogo foi tratado diretamente com selos? Eles tiveram uma compreensão imediata da idéia?
EDUARDO: O primeiro catálogo foi tratado com os selos. Eles aderiram imediatamente a idéia. Estamos trabalhando agora numa interface para permitir que os artistas submetam diretamente seus conteúdos para o tocaê.
BRUNO: Aliás, sobre a idéia. Como ela funciona nos bastidores? Desses R$ 0,50 quanto é repassado para o artista? E quanto dos R$ 2 do cartão? Como funciona quando eles tem um selo ou editora? O dinheiro vai pra quem?
EDUARDO: O dinheiro é compartilhado por toda a cadeia, que neste caso é muito menor que na distribuição de CDs. Se o conteúdo é colocado através do selo, a negociação do artista é com o selo. Estamos fechando o breakdown, vamos colocar isso no blog, será tudo com muita transparência.
Note que é um negócio principalmente voltado para artistas que não tem como principal remuneração a distribuição de música, mas a realização de shows. O tocaê vai permitir a estes artistas, identificar aonde (geograficamente) suas músicas estão sendo baixadas e planejar melhor os shows.
BRUNO: Quais são os spots do tocaê? O que é preciso para uma empresa se tornar um?
EDUARDO: Estamos trabalhando em alpha
Iniciamos no Delta para sentir a aceitação, a funcionalidade e a interface. As empresas que quiserem participar podem entrar em contato conosco para adquirir um hotspot. Buscamos locais de alta circulação humana.
BRUNO: Você acha que esse modelo do Tocaê é definitivo ou ele pode migrar ainda para outro (como sugeriram nos comentários do site)?
EDUARDO: Nenhum modelo é definitivo, mas não vamos nos limitar a remuneração através da venda de cartões. Existirão outras formas de patrocínio que poderão tornar o conteúdo disponibilizado ainda mais barato para o ouvinte.
BRUNO: Qual a especificação (o bitrate) do arquivo que a pessoa recebe?
EDUARDO: 64Kbps 44100MHz
Time do tocaê